sábado, 16 de janeiro de 2016

Porque cada um deveria permanecer em seu quadrado

Oi, gente há tanto tempo não escrevo aqui, né?

Não sei explicar, talvez eu tenha andado mais introspectiva ou simplesmente perdendo meu tempo com outras coisas banais.

O motivo das minhas letras de hoje vem inspirado por uma linda canção de Caetano Veloso, intitulada "Queixa", e que eu tenho ouvido e me encantado incessantemente. Sim, eu tenho uma queixa a fazer nesta tarde nublada de sábado. A minha queixa versa sobre o julgamento que fazemos sobre tudo e todos, eu faço e você faz; todo instante estamos julgando algo - sobre nós e sobre os outros- até sem perceber. É comum! 




"Moça, você está com uma saia curta", "Como tal pessoa está gorda", "Fulana está tão magra", "Milena é isso, Milena é aquilo"! 

Às vezes é engraçado, mas outras é revoltante. Parece que somos alvos diretos de um tribunal diário e que a fogueira está ali à nossa espera, e não se engane, por melhor que você ache que seja, há sempre uma labareda esperando pra te queimar. Que doido isso! 

Eu tenho ouvido tanta sentença ultimamente (e não apenas sobre mim), que sinceramente, não sei se acredito que me dão muita importância ou se eu dou pouca importância às pessoas.É cada absurdo! Parece que a sua vida é mais interessante e merece mais ênfase do que você próprio a compreende. 

Algumas pessoas são ruins demais para serem suas amigas, outras são feias demais, fulano é pobre demais ou estudado de menos... E eu me pergunto qual o valor disso tudo e qual a pertença que tais assuntos têm na ordem de interesse de pessoas tão distantes e problemáticas quanto os problemas que elas próprias criaram para mim. Normalmente eu tenho tanta reflexão sobre mim mesma dentro de mim, que não me resta tempo para julgar o outro, principalmente se esse outro não tem NENHUMA ligação comigo ou o seu comportamento incide não diretamente em mim. 

Tenho visto frequentemente amigos que vão às redes sociais se queixarem sobre o fato de suas vidas terem se tornado alvo da malícia da rua. E por isso também, acredito ser um tema pertinente a tratar aqui.

E sabe o que eu acho sobre isso?

Talvez o que gera tanta insatisfação em você pouco me importe, já parou para pensar sobre isso? Fico imaginando se eu sou tão egoísta, que durante um dia como hoje, não passe uma única vez em minha mente o que qualquer pessoa está fazendo de certo ou errado- se está vestido ou nu- dormindo ou acordado, trabalhando ou desempregado; pelo simples fato de eu está ocupada demais comigo mesma. 

Aí eu penso: "Deus como eu sou egocêntrica, ando me ocupando de mim mesma demais"! Rrsrsrs.. E entro numa de pensar que estou agindo errado sem estar.

É aí que eu me dou conta que estou cuidando da minha vida, dos meus anseios e da minha própria vida, e que eu é que sei o que me fascina ou que me inquieta; o que me APAIXONA. O que você pensa sobre minha personalidade (sobre o meu dia a dia), fatalmente não condiz com o que eu sou. E se você tivesse o trabalho de conversar comigo (já que isso parece lhe ser tão interessante), e ouvisse a minha opinião, talvez desconstruísse tantos mitos e derrubasse tantos muros que lhes separam do que eu sou e da ideia que você tem sobre mim. 

Não que isso me importe, mas pessoas imaginadas são frustantes; justamente por serem as pessoas incapazes de suprirem a perfeição de um sonho sonhado. Então faça-me um favor: "Não me faça frustrante", eu não quero ser- te frustrante, ok? Rsrsrs... Isso é tudo o que eu não almejo!

Deixe-me ser eu, viver os meus desejos e errar os meus erros, eu te deixo ser você também, e juro que isso não irá me importar nenhum pouquinho.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Pessoas de papel


Quem acompanha meus textos sabe: adoro escrever a partir de frases ou pensamentos que encontro por aí. Isso acontece muito quando assisto filmes que me tocam. Desde criança o cinema me fascinou, acho uma forma de arte completa, porque abrange o visual, o áudio e transmite muita emoção.

Não tenho dúvidas do poder que uma produção da 7ª arte pode ter na vida de alguém, em seus mais variados processos filosóficos, culturais e humanos. É assim comigo!

Hoje trago uma frase que recentemente me causou rebuliço na alma; palavras que ouvi do personagem principal do filme "Cidades de Papel", lançamento de 2015 e que fez sucesso há bem pouco tempo nos cinemas.

A frase: "Que coisa traiçoeira acreditar que uma pessoa é mais do uma pessoa".

Bem, essa é realmente uma frase de efeito, e como tal por si só já desperta uma gama de sentidos e emoções na cabeça de quem a ouve. 

Sei que cada um ao ler ou ouvir essas palavras serem despertadas vai pensar em algo, vai ter uma reflexão, o gatilho emocional funciona muito em particular. Faço aqui umas das inúmeras reflexões que o meu intelecto me permitiu e que a experiência de assistir ao filme nos possibilita.

Isso acontece muito, e atualmente ainda mais. Pensemos nessa fase facebookiana em que vivemos! Muitos de nossos amigos são mais virtuais que cotidianos, nossa realidade tem mudado... Vivemos cada vez mais interligados pela internet e sozinhos na prática.

Às vezes nosso primeiro contato com alguém é totalmente virtual; vemos fotos, frases, vídeos e traçamos um perfil para aquela pessoa. Parecemos tão perfeitos aos olhos dos nossos "amigos" virtuais e eles aos nossos. Os defeitos, apagamos ou ignoramos, é assim para quase todo mundo.

Em muitos momentos vivemos o mito da perfeição. E chegamos a acreditar que uma pessoa é mais que uma pessoa. Isso acontece o tempo todo, porque no mundo virtual somos quem desejamos ser, as realidades são alteradas por um photoshop, um filtro ou simplesmente um ângulo melhor.

É estranho pensar que nos produzimos muito além do que somos e que os outros fazem isso para nós! É como se não pudéssemos ser quem somos, ou se para agradar alguém , nós fingíssemos ser alguém melhor, mais bonito, mais rico, mais inteligente. Mesmo sem querer!

Mas, no filme, ou no dia a dia, sempre tomamos sustos com o real - que teima em nos enfrentar e confrontar. E descobrimos que nem nós somos aquela perfeição que desejamos ser, nem o outro têm aquelas infinitas qualidades que sonhamos e queremos. 

Por isso, idealizar um ser humano é tão traiçoeiro! Nós fantasiamos sobre alguém ou uma realidade e aquele ideal de perfeição (que nós mesmos ajudamos a criar) acaba por nos trair.

Ninguém é nada além do que se é. É isso! 



quinta-feira, 22 de outubro de 2015

A feiura em uma mulher é um pecado mortal

Tenho escrito muito sobre a mulher aqui neste blog. Sobre a sua condição profissional e emocional, seus anseios, sobre os conceitos de moralidade que permeiam a sua vida até hoje. Infelizmente até os dias atuais a mulher vive cercada por conceitos que as coloca em um "segundo lugar" em relação aos homens. 

Não podemos dizer que não houve mudança alguma (ao longo do tempo) é claro que houve, porém, devemos considerar que ainda hoje, nós mulheres ocupamos um lugar bem inferior e frágil na sociedade. Não é o que se fala abertamente, não são os discursos que se ouve por aí, mas é o que ocorre o tempo todo, no imaginário coletivo dessa sociedade em que vivemos. Quantas mulheres já tem liberdade financeira, são chefes de família, e ainda assim são violentadas em relações afetivas depreciativas ou enfrentam olhares ou palavras ofensivas com relação ao seu estilo de vida.

Uma coisa que me incomoda diariamente é a super valorização do esteriótipo feminino; é algo cultivado pelos homens e também por algumas mulheres. Existe um padrão a ser seguido, e ele dita cabelos, rostos, corpos, roupas, gostos, jeito, personalidade, relacionamentos, comportamentos... A mulher perfeita é assim e assado. É esse perfil que encanta os homens e que atrai o desejo (nem sempre o carinho). Às vezes acredito que as próprias mulheres (quando a sua orientação for esta), se identificam mais com um ideal de beleza feminina enquadrada em certos moldes. Nem sempre deve ser assim, porém ainda percebo em comentários que apontam para o interesse da mulher em detrimento ao padrão de beleza de outra. 

Não observo com tanta rigidez um padrão masculino de beleza; não que o homem não seja admirado por sua beleza, porque de fato é, mas falo que não identifico uma rigidez na obrigação do homem ser belo para conseguir um companheiro por exemplo. Os padrões parecem serem distintos, como se os homens tivessem outros moldes a se encaixar. Tipo: ser bem-sucedido profissionalmente. Vocês já ouviram a seguinte frase? Parabéns, você é muito bonito (a)! Como assim, ser belo é uma qualidade que mereça reconhecimento e digno de "parabéns". Antes fosse: "Parabéns! Você tem bom caráter. 

Recentemente assisti ao filme  francês de título "Violette", que falava sobre a vida da personagem que deu nome à história Violette Leduc, uma escritora com uma vida pessoal bem conturbada, que nutria um amor pela escritora Simone de Beavoir. Tudo se passa no período pós Segunda Guerra Mundial, quando Simone começa a ficar conhecida pelos seus pensamentos feministas e obras escritas. 




A história de Violette é cheia de muito conflito, desde o péssimo relacionamento com a mãe, um aborto até a sua constante rejeição por parte de homens e mulheres com os quais se envolve. Ela, que se considera uma mulher feia, atribui a isso a sua constante solidão. Sua vida é retratada de forma muito sofredora, solitária e vazia.

Algo que me chamou bastante atenção foi a primeira frase do filme que sentencia: "A feiura em uma mulher é um pecado mortal". Se você é bela, é olhada na rua por sua beleza. Se você é feia, é olhada na rua por sua feiura.


Era assim no século passado, é assim até hoje; até quando assim será?


terça-feira, 20 de outubro de 2015

Os amores que Rosa sonhou ter


Crônica

Rosa era uma jovem mulher (sem idade, mulheres não precisam desse número), pele morena, cabelos longos e sedosos e olhos castanhos. Seus pais já não existiam, seus irmãos ela nunca mais tivera notícias. Mulher inteligente, letrada e amante de poesias. Vivia uma vida comum, mas a sua forma de ver o mundo não era nada comum. Ela tinha uma maneira realista de pensar, e isso era demais para uma mulher, o que segundo ela, lhe roubara a ilusão de ser amada.

Rosa tinha quatro homens. E toda sexta-feira um deles a visitava em sua residência na Rua Vermelha, uma casa arejada, onde morava sozinha há tempos. Ela recebia e bem para ser exclusiva, daquele que seria seu homem na sexta-feira. Não precisava trabalhar, o que lhe pagavam dava e sobrava para as despesas; era uma mulher abastarda e dinheiro nunca foi problema. A solidão sempre fora!

Em sua cabeça, Rosa achava que aqueles homens a amavam; porque recebia flores, carinhos, atenção. Na cabeça de mulher dedicar cuidado a alguém demanda sentimento. Coisa que ela tinha certeza não seria possível em uma relação comum. Era isso que as poucas amigas que ela tinha lhe falava, seus maridos só tinham olhos pras outras mulheres, pra bebida e pro amigos. Era uma solidão acompanhada! Não case, Rosa. Elas lhes diziam, o casamento não traz felicidade à vida da mulher. Sentenciavam!

Assim, Rosa fazia da sua vida amorosa uma novela de uma semana só, ela se apaixonava toda sexta-feira pelo seu homem e gostava de fantasiar viagens a trabalho. Passava a semana sonhando e se iludindo por um de cada vez, De sábado até a quinta seguinte ( quando o outro viria), os pensamentos e devaneios amorosos lhe preenchiam o tempo. Seus homens chegavam sempre cheios de amor pra dar, iam embora jurando amor e saudades infindáveis.

Se para ela cada semana era como um capítulo de uma vida acompanhada, para suas amigas casadas a solidão a dois lhes atravessava a alma. 

No fundo o que Rosa queria era um marido pra chamar de seu, mesmo que ele desejassem as outras, a cerveja e os amigos. Ela não assumia, mas invejava a vida das amigas. Era essa vida que ela desejava ter! Já as amigas, diziam a si mesmas: "Ah, a Rosa é que é feliz. O casamento não nos satisfaz, nossos homens sonham mesmo é com uma Rosa pra chamar de sua". Seus encantos são devastadores...

Moral da estória: feliz não é a Rosa, nem as amigas. Feliz é o homem que tem a esposa, a cerveja, os amigos, e a Rosa. E não tem que prestar conta do tanto que tem e não sabe e nem precisa dá valor. 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Tudo hoje é noticia

Em tempos de redes sociais, de interatividade extrema na internet as notícias se banalizam sempre mais. Além do fato de todos poderem jogar uma informação para o público - mesmo sem saber da veracidade daquele conteúdo- e da velocidade que tudo se espalha na rede, o advento da internet e seus avanços tecnológicos possibilitaram leva de "repórteres cidadãos" inimagináveis. Todos tem câmera, tem acesso e curiosidade; atrelado a isso tem ainda a necessidade do indivíduo de comunicar-se. 

Quando temos uma novidade, a tendência é querer mostrar, falar, contar...

Talvez muito por causa desses fatores e também por estarmos hoje em uma era de valorização do ter, possuir, da beleza e do consumo, tudo virou notícia. Às vezes, nos deparamos com coisas tão fúteis, mas que viram notícia e que as pessoas desejam saber. Vemos isso mais comumente quando se trata das celebridades, quando qualquer simples ocorrido em suas vidas, gera um interesse enorme.

Hoje deparei-me com a seguinte manchete: "Mayra Cardi exibe cinturinha finíssima no instagram e divide opiniões". A matéria falava sobre a mulher postar fotos do corpo como forma de motivar seus seguidores a praticar exercícios. 

Daí eu pensei: "Quem danado quer saber sobre a cintura finíssima desta pessoa"?

De repente me veio outro pensamento: "Se existe a demanda por matérias desse tipo, provavelmente exista um público interessado também."

É isso.

domingo, 18 de outubro de 2015

Entre a vida real e a virtual

Esses dias um vídeo compartilhado no facebook me botou a pensar... O título "A geração Selfie"!

Imediatamente a vontade de dá o clique e saber o que dizia aquele vídeo me tomou. Ora, essas discussões sobre internet, comportamento e atualidade sempre me chamam com uma grande curiosidade.

O vídeo é este aqui, e resumindo são comentários de um comediante e apresentador de televisão americana, comentando fotos de determinadas situações (algumas bem únicas na vida) e chamando a atenção do telespectador para o hábito que passamos a ter de fotografar as situações ao invés de vivenciá-las.

Ele pergunta; "Não podem guardar o celular e prestar atenção no momento que estão vivendo"?

Essa foi a pergunta que eu me fiz e que faço agora a você que lê este texto. "Será que nós estamos vivendo a vida real ou a vida virtual"?

Passei por essa situação há bem pouco tempo, quando fui ao show do A-ha. Eu, que vivo a assisti-los no youtube (e sonhando com o momento de vê-los ao vivo), me peguei num impasse: olho, fotografo, filmo... A minha angústia era vê-los com meus próprios olhos, filmar e fotografar pra guardar o momento... Eu não sabia o que fazer, e acho que é esse o dilema que sentimos de uns tempos pra cá, quando tudo que fazemos desejamos registrar e reproduzir imediatamente nas redes sociais digitais. 

Nós não sabemos em qual mundo vivemos, e qual o que mais importa. É estar ali, com aquelas pessoas, sentindo aquela emoção; ou é fazer as outras pessoas - que não estão presentes- saberem e participarem daquele momento?

Essa questão me vem ao pensamento constantemente, e acredito que vale a pena tirar aluns minutinhos para repensar sobre a vida que estamos levando. Qual é a realidade que nos faz felizes de fato, a real ou a virtual? 

O céu é pra elas também

Esses dias estava ouvindo uma música de uma banda que não conhecia e a letra falava de um casal de opostos. Tudo o que ele era, ela não. Até aí achei bacana, era tipo um completando o outro. De repente percebi nos versos algo tipo "eu sou um vagabundo" e você é "perfeitinha". 

Aí já não curti. Detesto essa perspectiva que até hoje ainda (infelizmente) se pre prega, de que o homem pode ser ruim, feio, canalha, sacana, poligâmico, sujo, vagabundo... Etc... E produz uma mulher baseada nos sonhos deste homem: perfeita! 

Daí achei super injusto com essa mulher; que é perfeita e recebe um homem imperfeito e improvável. Essa é uma pretensão bem desigual com a mulher, não acha? 

Deve ser baseada no conceito cristão de Maria Santíssima. Isso me fez lembrar de um comentário que alguém fez (há tempos atrás), que alçava a mulher a um patamar de pureza e bondade celeste. Tipo algo a ser adorado e não tocado!

Ei, peraí, nós mulheres também queremos o que é bom, leva esse sofrimento pra lá. Não nos reserve o calvário não. Nós queremos o céu, com todos os benefícios que temos direito.

Chega de resignação para as mulheres. Não queremos ser "as sofredoras". Não, não. Não se engane!
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