quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Ontem, hoje e sempre

Artigo escrito e publicado em 2014, e infelizmente, ainda muito atual.


A cada dia eu comparo o clima político-partidário que se instaurou em Acari (nos últimos anos) com o fanatismo e a intolerância religiosa. Agora, mais que nunca, o desacordo colorido do cenário eleitoreiro acariense se transformou em motivo de guerra. Uma guerra declarada e aberta. Que não escolhe personagem, mas que pode favorecer à personagens e mártires inesperados.

Ultimamente as ruas e os lares de nossa terra foram tomados por canhões e balas trocadas. Numa cidade, que de tão pequena, chegamos a conhecer a todos pelo nome, o nosso vizinho tornou-se - de repente - um terrorista capaz de nos atingir a qualquer momento. Um inimigo!

Não quero entrar no mérito e no julgamento (que cada um e todos fazem todo dia), porque nos discursos apaixonados não cabem (e aí digo de ambos os lados), olhar para o seu próprio rabo e reconhecer em si um pensamento/fala proeminente de uma manipulação que fazemos interiormente, e com isso, interiorizamos e reafirmamos nossas convicções. Assim sendo, em nossa mente e coração estamos sempre certos. O nosso partido é o melhor, nossos representantes são os mais éticos e nossas bandeiras as mais justas!

Não se engane meu caro, você quando profere suas ofensas ao seu amigo de outrora, está expelindo o que tem de mais cruel, disfarçado de boas intenções e sentimentos puros. Você reitera sua opinião aos quatro ventos, sem entender como o outro (seu amigo de antes e agora oponente) não comunga de sua fé. E falando em fé, não tentemos julgar se não queremos ser julgados. Esse é preceito básico da vida espiritual! 

Quero fazer-lhe um chamado; você que vai todo domingo à missa (por exemplo), e que sem perceber quebra seu pacto com Deus e com a fé, ofendendo seus irmãos e usando de “sua boa fé”, para incitar o pior sentimento (por causa de "política" ou de qualquer outro motivo banal), que a humanidade já foi capaz de permitir-se: o ódio. Pense e repense se está no caminho correto!

Não esqueça dos exemplos que fomos capazes de produzir com nossa bondade humana. São holocaustos pontuais e diários - guerras mundiais, que explodiram vidas num cogumelo nuclear nipônico, que em nome da paz, fez apenas uma coisa: guerra.

Você acha que está certo: julgando, criticando, se defendendo às custas da derrota e rebaixamento dos outros (sem respeitar os costumes sociais), se declarando a você e aos seus inocentes? Não esqueça você que até Hitler reconhecia em si uma forma pura de reafirmar a sua doutrina, mesmo que pra isso fosse preciso exterminar milhões de pessoas, pelo simples fato  desse alguém PENSAR DIFERENTE do que ele julgava certo.

Portanto, tenhamos cautela com o que nossas bocas e corações proferem ser o caminho a ser seguido, pois todos os ditadores antigos ou recentes tinham e têm consigo mentes tranquilas com relação às decisões arbitrárias, que tomam e defendem. 

Deus nos deu um bem precioso chamado livre arbítrio; cabe a cada um de nós arbitrar livremente da maneira mais justa possível, pensando não apenas em nós, mas nos outros também. Porque o seu filho é o outro para mim, da mesma forma que eu sou “o outro” para você.

Não façamos de nossas vidas “intifadas acarienses” encouraçadas de bons motivos e recheadas de ódio e política distorcida. Tenho medo, muito medo desse discurso inflamado, que tenho visto por aí. As redes sociais se transformaram em praças de guerras. Um lugar onde deveríamos celebrar e estreitar relações sociais modernas.

Nossas palavras e línguas são como canhões que podem causar ferimentos mortais, eles podem ir além da morte, pois ferem o corpo e atingem a nossa alma. Suas sequelas são infindáveis e incalculáveis! 

Receio acordar um dia e me deparar com um fanático (ex amigo meu) se explodindo em frente à igreja matriz. Porque da intolerância de um homem bomba, que vocifera sua fé sequestrando aviões, e amigos que se enfrentam em tom de ira - após uma celebração de fé cristã, ou após uma manifestação partidária – infelizmente não vejo diferença alguma. 

Ambos são tolos, pois não aprenderam que a religião e os partidos apenas segrega-nos, assim como a política que vocês estão defendendo a "ferro e fogo". O que tenho a dizer é algo bem simples e de fácil constatação: o maior ensinamento espiritual que já conheci até hoje – une, integra e faz bem. Sabe do eu estou falando? De um sentimento que pouco temos enaltecido ultimamente em nossa terra. 

Falo sobre amor!

O partido, a cor, o número

Texto republicado - escrito em 2014


Artigo
Por Milena Chaves




Alguns comentários, fatos e até brigas me chamam atenção em Acari. Tudo relacionado não a Política, e sim relacionado ao que alguns fizeram com ela. Aqui, quem deveria brigar pelo interesse do bem público ou do melhor funcionamento da sociedade, faz o contrário. A campanha eleitoral passou, mas sobrou o discurso raso e a falta de interesse em aprofundar o debate. Nessa terra, as questões sociais do município não importam. As pessoas não importam. O que importa é o partido, o número, a cor.

Veja bem! Por traz dessas letras existe uma cidadã. Seu partido: a cidadania, seu número: o RG, a sua cor: cor de gente.

Paremos pra pensar no sentido e na origem da palavra Política! Segundo Aristóteles, vemos que toda cidade é uma espécie de comunidade, e toda comunidade se forma com vistas a algum bem, pois todas as ações de todos os homens são praticadas com vistas ao que lhes parece um bem.

Penso que a vida em sociedade requer certos laços de união, que há muito foi esquecido por aqui. Pessoas se levantam contra o próximo e se ofendem, se digladiam em praça pública. Não parece ser isso o certo. Onde está a moral, a ética, a educação, o interesse comum? Na terra das cordilheiras, as amizades são pisadas pelas picuinhas! O respeito é massacrado pela baixaria. Com isso tudo, Acari só perde. Quem ama essa terra não comunga com essa atitude... Perdemos nós cidadãos, acarienses.

A vergonha me toma a cada instante, por saber que faço parte de uma sociedade tão insana, que se disfarça de família, prega valores e só destrói. São pessoas, pais, filhos, irmãos, profissionais, que colocam uma paixão política e, por isso mesmo, irracional- em primeiro plano. 

Parecemos muito mais animais rosnando uns para os outros, que homens. Nós batemos nos peitos e gritamos aos quatro ventos, mas uma voz interior sopra na consciência, dizendo que algo está errado. O dinheiro e o poder reinam... Por entre as ladeiras as vozes, ou melhor, os cochichos ecoam. Os mexericos, as intrigas. Acari não pode fazer nada, somos nós quem podemos!

As cadeiras se mexem; os aplausos e vaias se alternam. É trágico e cômico, cômico e trágico. Mais ainda: é humilhante e “degenerador” o que deixamos acontecer, o que fazemos acontecer. Só posso crer no caos do sistema imaginado por Marx. É a avalanche final do início do fim! 

Mas a culpa não é do novo tempo, é culpa nossa, minha e sua. É culpa do homem velho que vive no tempo novo, e que faz o velho querendo que o novo aconteça. Nós somos os agentes transformadores. Está em nós o poder de fazer melhor e diferente; de permitir que a sociedade melhore e evolua. Será que de fato estamos fazendo algo sobre isso?




Reflita! 

Sempre "alienistas"

Olá, amo esse texto (escrito em 2014) e decidi republicá-lo hoje, porque julgo pertinente mais uma vez. 


Dias atrás uma amiga (a quem mantenho carinho e respeito) mencionou em um comentário o grande escritor Machado de Assis. Ela me fez lembrar, ou melhor, relembrar o autor pela segunda vez esta semana. O caso é que dias atrás estava eu a escrever o texto “Do medo que eu tenho do fanatismo”, e Machado de Assis me veio no pensamento. (cheguei a comentar isso com pessoas próximas)

Pois bem, quando escrevia o referido texto, buscava personagens, figuras de linguagens ou fatos reais, nos quais pudesse ilustrar o meu pensamento sobre o tema abordado. Nesse ínterim, a obra “O Alienista”, de autoria dele pareceu-me uma rica analogia.

Elucidando melhor... O conto machadiano fala sobre Simão Bacamarte, um psiquiatra de renome que volta para sua terra natal (Itaguaí), uma cidade pequena onde almeja se dedicar à profissão. Lá, o médico desenvolve seus estudos e funda um manicômio. E segundo sua teoria, as pessoas que desenvolvessem algum distúrbio no comportamento social por menor e absurdo que fosse (em sua concepção) seria internado. O problema é que em determinado ponto da estória 75% da população de Iguaí estava internada na Casa Verde (esse nome foi dado pelo autor ao hospício. A casa poderia ser cinza, rosa, marrom). Mas foi aí que tudo deu um nó!

O negócio é o seguinte: meu pensamento literário encontrou barreiras... Barreiras tolas e levianas, acredito.

A relação que eu pensava em fazer era entre Itaguaí- Acari (ambas cidades pequenas), o clima que se instaurou na cidade (do texto) e o clima de ofensas que nossa cidade acompanha.

Mas a casa era verde! E eu não quis dar margem para mais desentendimentos.

E voltando à minha divagação sobre as duas cidades, por mais que eu tente não consigo ver lucidez nessas picuinhas partidárias, que permitimos e enaltecemos aqui. Portanto, na maior parte das vezes, me parece bem insano nosso comportamento ultimamente. Não parecemos usar nossa inteligência e sabedoria para conviver em paz. Tem gente assim aos montes, e cada dia os noto mais. Daí eu pensei que boa parte de nós (se morássemos em Itaguaí) seríamos colocados no manicômio pelo dr. Bacamarte, "o alienista".

Porém, apesar de ter enxergado entre o texto de Machado de Assis e nossa realidade cotidiana uma semelhança, não julguei que meu texto seria bem compreendido e mudei a comparação. Mesmo assim, houve quem (e acredito que muitos que não se manifestaram publicamente, o fizeram mesmo assim), tenha se sentindo ofendido, porque em sua cabeça "alienista" pressupõe que eu tenha um lado definido no cenário político acariense.

Moral da estória: eu recuei! Principalmente porque não quis ser mal interpretada e fui. Eu quis falar da situação de maneira genérica, sem tomar partido de A ou B, mas mesmo assim fui taxada. Recebi elogios e críticas e aceito todos.

Mas apesar de ter eu reprimido a minha expressão literária, informo que não o farei novamente.

Descobri com essa experiência, que não vale a pena limitar minha produção intelectual, com receio das interpretações maliciosas, pois sempre haverá aquele que não entenderá o seu propósito. Por mais nobre que ele pareça para você próprio.

Portanto, paciência. Escreverei livremente!

Por favor! Não me pode, caro leitor. O escritor é como uma árvore, seus frutos: as palavras.

Na Terra de São Saruê

Falar sobre umas coisas que me incomodaram hoje...

O Governador Robinson Faria, veio a Acari ontem (27) e prometeu ajuda ao Hospital Regional. Não entendi o que ele está esperando esse tempo todo pra ajudar. Pode ajudar, já deveria ter ajudado não?

O duelo verde- azul continua pelas ruas de Acari. Ontem à noite também teve bate boca, polícia, só faltou o quebra- quebra. Vamos esperar que ainda tem tempo!

O facebook tem tantas declarações e tanto texto bem elaborado como nunca antes visto na história desta cidade. Bora escrever sobre temas construtivos, meu povo!

Ainda bem que o dia 02 é domingo! Não vejo a hora da segunda-feira "santa", e nem por isso ou por isso feriado, chegar.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Romântica

Eu queria falar de amor e paixão, mas esses são temas muitos estranhos a mim. Não que eu não goste eu não tenha sentido... Mas, sempre achei um tanto piegas pra falar a verdade. Romântica mesmo só fui na adolescência, quando escrevia poesias e músicas aos meus "amores".

Admiro estes sentimentos e - apesar de fugir muitos deles (reconheço) - percebo que preciso abrir mais a mente sobre, e talvez, não seria de todo ruim experimentá-los mais.

Posso ter levado a frase a seguir a sério demais...


Fique de vez em quando só, senão você será submergido. Até o amor excessivo dos outros pode submergir uma pessoa. (Clarice Lispector)








Pensamentos amanhecidos

Bom dia, leitores

Tenho sido mais assídua no blog, não sei o motivo, mas estou gostando. Dias atribulados com provas (concurso) e na faculdade - inclusive uma hoje (21), que seria amanhã. Infelizmente menos um dia pra estudar! Já estava complicada se amanhã fosse, imagina sendo hoje... Penso que tenho dislexia para o estudo jurídico!

Dizem que amanhã - quinta-feira (22) - será dia de paralisação dos servidores federais. Ok! Mas, nós alunos não temos nenhuma ligação direta com isso. Então.. Realmente não achei justa a antecipação.

Tive que aceitar! Coisa da vida, coisa da UFRN, coisas do Direito, que vem sempre me ensinando (dia a dia), como tudo não é muito justo. O mundo e a justiça! Tema de um próximo artigo.

Por falar nisso, tenho refletido bastante sobre este tema. Assim como tem passado repetidas vezes em meu pensamento: política, ética, tolerância, sociedade, internet, economia...

E por aí vai! Sou dada à reflexões filosóficas, dessas que infelizmente não levam a nada, a não ser à frustrações com as pessoas e com o mundo atual.

Melhor colocar uma música e fazer um café bem forte!

Abraço!

sábado, 17 de setembro de 2016

Carta aberta ao povo acariense

Estou contando os dias para que chegue esse bendito dia 02 de outubro. Curiosidade para saber o resultado das eleições municipais 2016? Não. Conto agoniadamente - dia após dia - para que enfim a vida das pessoas ao meu redor volte à rotina  normal. Vocês poderiam pensar que eu sou uma pessoa altruísta e desejo com veemência o bem estar das pessoas. Porém, não é bem isso! Não é que eu seja malvada, ou não deseje o bem do outro, mas é que o motivo principal dessa carta é que eu desejei dizer: Eu não suporto mais tanta discussão inútil. 

De verdade, estou muito irritada (e percebo a irritação alheia) sobre discussões do tipo troque 6 por meia dúzia, ou você faz isso também, por que nós não podemos fazer? Ou quem criou um cartaz primeiro, quem tem maior número de pessoas numa passeata, ou o que é mais grave: quem denegriu mais o adversário, partido A ou partido B?

A que ponto nós (digo sociedade como um todo) chegamos, gente? 

Banalizamos a política - quando deixamos as propostas de lado e priorizamos os ataques pessoais. Coisificamos o amigo, quando misturamos partidarismo político à amizades sinceras; desmoralizamos o profissional prestigiado ou em construção, quando resolvemos ressaltar seus pontos negativos ou seu deslizes, ao invés de destacarmos um trabalho positivo, seus avanços e determinação em - mesmo enfrentando as maiores dificuldades - tentar desempenhar seu trabalho com dignidade e com a maior presteza possível. Sentimos prazer em criar uma situação de conflito, jogando uns contra os outros.

Não estou aqui tomando partido. Repito! Esta é uma carta de uma cidadã no momento apartidária, que está cansada de ver as pessoas em nome de uma "paixão colorida" suprimir coisas essenciais à vida como o respeito.

E apesar de ter todos os motivos para desacreditar da política brasileira (diante de tantos escândalos de corrupção), ainda me considero uma idealista! Sonho com o dia que alcançaremos uma evolução social tamanha, que pensaremos ideias com mais responsabilidade e discutiremos em tom amigável o que será melhor para um número maior de pessoas (pois é este o real significado da palavra política), visto que desse diálogo depende diretamente o rumo de uma sociedade inteira. Lembrem-se que todos os municípios juntos formam o Brasil, portanto, estamos todos ligados através desta corrente.

Do início dessa campanha eleitoral até aqui eu já decidi votar num candidato e já mudei meu voto. Já pensei em votar noutro e já desisti novamente. Hoje (17), estou decidida a não votar em candidato algum - e apesar desse gesto particular me ferir profundamente como cidadã idealista que sou, e por acreditar no valor imensurável e simbólico que um voto (principalmente o voto feminino) tem nesta democracia - é a minha decisão no momento.

Acarienses, mão sei como você se sentem sobre este assunto, todavia eu estou farta dessas agressões, baixarias, áudios vazados, troca de acusações, intrigas, vaias gratuitas, ofensas; penso que nós acarienses temos o direito a uma política mais respeitosa. 

Acredito que, assim como eu, muitos devem estar cansados desse processo "toma lá, dá cá", algo corriqueiro  nos eventos políticos aqui. 

Por tudo isso não quis participar de nada este ano, e me sinto em paz em ter feito esta escolha sensata. Respeito quem admira esse tipo de situação, quem pensa diferente de mim, mas esta será a minha forma de protesto: meu voto em BRANCO. Infelizmente, esta foi a decisão que os fatos diários me levaram a tomar.

Que bom o Branco significa paz!



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