quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Toma lá, dá cá

Infelizmente nós brasileiros ainda não encontramos o mastro para navegar pelo caminho da democracia pura. Ao longo da história conquistamos algumas vitórias, é verdade.  Mas, ao término do último debate na TV aberta, entre os candidatos ao governo do RN, minha análise é negativa.

Eu não sou uma expert em política e, é claro, não tenho uma análise assim tão confiável. Mas, como cidadã, jornalista e sem vínculos partidários posso dialogar sobre o tema de forma um tanto aberta e livre.

Os debates deste ano (de um modo geral) foram cansativos de assistir porque não houve nada além de acusações e troca de ofensas (ao contrário do que o mediador acabou de dizer no fim do debate. Ele deveria estar desorientado pra falar isso). Pouco se falou de projetos e de propostas, uma aqui e outra acolá. Infelizmente nem os candidatos nem nós mesmos (brasileiros) estamos preparados para fazer jus aos significados de práticas políticas e democráticas, no que se propõem de mais positivo e nobre à nossa sociedade.


Quem perde com isso: nós mesmos. É como dizem por aí... O país/ estado tem o governante que merece! 

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Acabou-se a farinha, o querosene da cozinha e água do Gargalheiras também

“Pai, acabou-se a farinha, e o querosene da cozinha. No feijão "gurgui" já deu”. Essa linda canção povoa os meus pensamentos sertanejos...

Apesar das mudanças sociais que estamos vendo no Nordeste, nossa situação ainda está bem longe da sonhada. Principalmente aqui no nosso Sertão, as coisas são mais difíceis...
Falta oportunidade de emprego, falta renda, falta água. 

Sempre que vejo alguém comentando desse pessoal que vai tirar safra lá longe no Mato Grosso, e que morre de saudades de casa e da família eu faço uma viagem há um tempo em que nem nascida era. Eu penso num tempo que não vivi, que conheço apenas das estórias que meu pai me conta saudoso.

Naquele tempo, o açude Gargalheiras tinha bastante água. Conta-se que chegou a sangrar com uma lâmina d’água tão grande que a ponte do Rio Acauã era lavada pela água! Meu avô, minha mãe e meu pai trabalhavam numa grande empresa de beneficiamento de algodão que tinha muitas filiais, uma delas em Acari, situada lá no bairro Petrópolis (SANBRA). Conta-se que quando acabava o expediente à tardinha, o sol a se pôr no céu, e aquela ruma de gente descendo a ladeira voltando pras suas casas, após um dia inteiro de labuta.
Uma amiga sempre me conta também do tempo que a rádio difusora funcionava na praça do coreto. Ao ouvir suas lembranças eu embarco e viajo no passado, numa Acari mágica e distante - bem diferente da de hoje.

Eu amo minha cidade! E quando estou longe meu coração sofre de saudade. Por isso me entristeço com a realidade desses homens que deixam (todos os anos) suas famílias aqui e vão buscar emprego em outra região. A gente queria mesmo era viver em nossa terra! Eu sei que hoje temos muitos avanços em tantas áreas, principalmente tecnológicos. Porém, tenho saudade da vedete do Seridó que não conheci. Porque parece que o passado era melhor que o presente! Isso parece ilógico porque na minha cabeça, quanto mais o tempo passa, mais se deve e se tenta evoluir. Então, de alguma forma parece que evoluímos pro pior e isso não é bacana!

Agora, acabou a SANBRA, a difusora e água derrama – fraquinha suas últimas gotas de misericórdia. Quando ela chega aqui em casa, vem tão devagar que parece chorar seu lamento derradeiro. Dá dó! Enquanto escrevo essas palavras meus olhos marejados de lágrimas estão; ouço um triste tilintar. É o som da água que finda. Ela que antes chegava plena, forte em nossas casas - agora sai engasgando do cano. Sabe quando a gente toma um pouco d'água e se engasga? Cospe o que ficou... 

Logo ela, que sempre nos trouxe tanta emoção e alegria, transbordando majestosa sobre a parede do Gargalheiras... Espetáculo!


Fico pensando comigo mesma... Será que Acari (como alguns mencionam de vez em quando) é a cidade “do já teve”?

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Não é brincadeira...

Não, não eu não estou preparada para ser mãe! Cada dia que passa eu admito o quão difícil é ser mãe e pai hoje. Quer dizer sempre foi. Talvez hoje existam novos complicadores, claro! Mas o fato é que ser pais é mais, bem mais que gerar e colocar no mundo.

Para a mulher então, essa tarefa demanda tempo, disponibilidade, dedicação, abdicação... Tantas coisas. Fora as horas de sono perdidas e a cobranças intermináveis que têm que lidar a partir da maternidade. Que vão de responsabilidades com o filho até as gordurinhas e estrias que farão parte do seu corpo desde então.

Nós mulheres modernas acumulamos cada vez mais funções, elas nos consomem e nos estressam o tempo todo. São tarefas intermináveis, que teimam em nos acompanhar até em momentos de lazer. Porque não venha me dizer que hoje em dia os homens modernos são diferentes, e que dividem o serviço de casa e tal, porque existem uns poucos que até contribuem, mas a maior parte do trabalho fica com a gente mesmo. Fato! Eu vejo a dificuldade que as mulheres com filhos, maridos, trabalho e casa pra cuidar tem... 

Essas sim são "Super Mulheres"! Daí você acumula tanta tensão, fica tão mal humorada e as pessoas só sabem te chamar de chata! Outra coisa: nós acabamos por desencadear comportamentos agressivos, que influenciarão na educação e temperamento dos próprios filhos. Ou seja, vira um ciclo de erros comportamentais. Criamos filhos estressados, inseguros e agressivos. 

Um ciclo vicioso... 

domingo, 19 de outubro de 2014

Sobre política, religião e direito

Bem, há alguns dias uma querela envolvendo política e religião foi aquecida nos debates "facebooquianos". Entre tantos comentários, lembro que alguns se posicionaram de forma a reprimir o discurso político dentro de uma instituição religiosa. 

Lendo o texto de José Reinaldo de Lima, intitulado "O Direito na História", pude revalidar e embasar o pensamento que já nutria a respeito desse ocorrido. Não estive presente no momento citado (objeto das interpelações nas redes sociais), então não julgarei o fato em si,  simplesmente por não ter presenciado, e assim não ter comigo a possibilidade de obter a verdade do ocorrido. Falarei precisamente sobre esse posicionamento supra mencionado, contrário ao discurso político dentro da igreja.

Pois bem, todos aprendemos na escola que a Igreja Católica é uma instituição muito, muito antiga. Nossos livros de História estão recheados de episódios envolvendo não apenas ela, como seus acontecimentos e evoluções no decorrer do tempo. Essa instituição tem cerca de 2 mil anos, portanto é integrante da História da civilização Ocidental.

Em seu livro José Reinaldo de Lima conta uma série de coisas que afirmam (entre outras coisas) a relação tênue que a Igreja Católica sempre teve com a sociedade, o Estado e também com a política. Ele cita inclusive, que o Direito Canônico (conjunto das normas que regulam a vida na comunidade eclesial), teve e tem grande contribuição no nosso Direito contemporâneo.

Dessa forma, acredito que política e religião estão intimamente ligadas e essa relação é bem antiga. Portanto, seja qual for a sua reflexão - entenda que os posicionamentos e o cotidiano das religiões recebem e doam influência no contexto social como um todo. De certa forma, um líder espiritual, seja ele de qualquer religião, tem como papel social dialogar sobre os mais variados temas com o seu rebanho. Isso é super comum! E acontece há bastante tempo em Jerusalém, na Grécia, em Roma, e é claro - em Acari também.

sábado, 18 de outubro de 2014

Nem tudo que dá o que falar é notícia

Fico muito triste com as coisas que vejo publicadas por aí. Com essa coisa toda de internet, as ferramentas estão acessíveis a qualquer um. As ferramentas digitais transformara pessoas comuns em "formadores de opiniões" da noite pro dia! Isso pode ser visto como algo positivo, visto que dá voz a um grande número de pessoas, pois a liberdade de expressão tem aqui um caminho bem aberto, amplo. Mas, infelizmente moral e ética são matérias bem subjetivas e pra cada um, essas palavrinhas têm significados bem distintos.

Vou dizer algo bem forte, mas que faz parte da minha opinião. Não coaduno com a censura, mas deveríamos ter uma assembleia, um sindicato, uma organização (se possível com a participação de representantes da sociedade civil), para avaliar e buscar punição para quem usasse a internet para ferir o outro e às classes de profissionais. Sei que essa é uma discussão bem complexa, porque lida com temas muito ambíguos.

Todavia, sinceramente eu me sinto muito mal com o que tenho lido diariamente. Fala-se de "política, de moral e bons costumes"... Sendo que essas mesmas pessoas ferem outros princípios e invadem a privacidade de outros, e não se sentem errados ou passíveis de punição. "A brincadeira é desculpem os termos: jogar merda no ventilador, e ver o que dá".

A internet trouxe um acesso à informação muito bom. A velocidade com que os fatos nos chegam são impressionantes. Porém, a quantidade de inverdades, notícias tendenciosas e cheias de má fé, me surpreendem a cada dia. Eu, como jornalista, rejeito esse tipo de coisa.

Gostaria de ver a informação sendo tratada como algo sério e relevante para a sociedade, pois o jornalismo, antes de mais nada, tem um papel fundamental na vida da gente. Para os desavisados fazer jornalismo é falar sobre as verdades das coisas e nem tudo vale uma notícia, pense bem nisso... Como eu sei? Grandes mestres me ensinaram! 

Portanto, sonho com o dia em que a minha profissão seja de fato respeitada e regulada. Assim como todas as outras profissões, o jornalismo exige um conhecimento específico, coisa que se aprende na Academia, como a Medicina, o Direito ou qualquer outra. E não me venha com essa estória que apenas o dia a dia forma um profissional, porque isso é bobagem! O conhecimento teórico aliado ao prático sim, isso forma um profissional de qualquer área. Ou você deixaria sua saúde nas mãos de um médico sem diploma?

Na Universidade aprendemos o que é essa profissão e para que ela serve. Aprendemos a pensar como profissional e a exercer nosso papel da maneira mais verdadeira possível. Essa atividade, se levada eticamente, pode interferir no contexto cultural, político, administrativo do país. Se usado para outros fins, gera uma série de malefícios, tantos que nem podemos prever! 

Me desculpe se alguém se sentir ofendido com minhas palavras. Porém, afirmo que muitos tantos deveriam me pedir desculpas (se éticos fossem), por usar a minha profissão (que eu suei pra aprender) com intuitos ou fins errôneos. Sem medir ou pensar nas virtudes que o bom jornalismo traz à sociedade.

Valorizo as pessoas e as profissões, todas elas. Então, peço que respeitem todos os jornalistas do mundo. E parem de escrever baboseiras! Parem de usar as ferramentas virtuais para escrever o que te mandam, mesmo sem constatar a veracidade daquilo. Chega de imprensa marrom! Não distorçam os acontecimentos, nem transformem mocinhos em vilões. Não criem monstros que não existem nem tampouco coloquem inocentes em bancos de réus. Eu estou farta de discursos moralistas, onde pessoas são julgadas sem serem ouvidas. Aliás, quem são todos vocês, que declaram esse ou aquele culpado ou imoral? O que é moral? Você tem ideia de quantos anos um juiz estuda pra tentar usar seu conhecimento jurídico num julgamento? 

Procurem conhecer, estudar e levar a sério todas as profissões, inclusive a minha. Saiba que o jornalismo exerce influência tão relevante, que é capaz tanto de salvar como de ceifar vidas. 

Hotel Ruanda, você tem que assistir!

O filme é uma coprodução da Itália, Reino Unido e África do Sul, e relata a história real de Paul Rusesabagina, que foi capaz de salvar a vida de 1268 pessoas durante o o genocídio de Ruanda, em 1994.

A história se passa em Kigali, capital de Ruanda, em 1994, quando o gerente do Hotel des Mille Collines, propriedade de uma empresa belga tenta salvar pessoas do conflito étnico. O filme relata um período de aumento da tensão entre a maioria hutu e a minoria tutsi, duas etnias de um mesmo povo que ninguém sabe diferenciar uma da outra a não ser pelos documentos.
Tudo começa quando o presidente de Ruanda morre em um atentado após assinar um acordo de paz. Imediatamente os hutus  declaram guerra aos tutsis, dando início a matança de tutsis.
Neste instante, Paul tenta proteger sua família, mas com iminente massacre generalizado, compra favores para proteger seus vizinhos, que haviam pedido abrigo em sua casa na primeira noite de atrocidades.
Com a continuidade da tensão e mortes de governantes, os turistas partem enquanto que no hotel, aumentam a quantidade de vítimas que procuram abrigo e proteção. 
O filme é muito interessante e têm cenas fortes.

Até onde vai a maldade humana? E ao mesmo tempo até onde vai o altruísmo de poucos?
Não podemos medir.  De acordo com a conveniência ou suas pretensões, o homem pode ir bem longe. Muitas vezes sem medir esforços.

Este filme mostra o quanto podemos ser cruéis e fazer mal ao nosso semelhante. Principalmente quando este não compartilha de nossas ideias, costumes ou simplesmente porque não é da nossa mesma tribo.


Um filme muito triste, mas muito bonito também!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Dos ciclos

A vida é feita de ciclos. Independente da fase: boa ou ruim... Ciclos! E a gente até se acostuma com eles, e sente falta quando acabam. Mas existe um grande ciclo que não cessa...

O tempo nunca morre, o ciclo na verdade nunca termina! (Filme "Antes da Chuva")
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